Vamos ser solidárias?

Todas nos lamentamos dos tempos difíceis que correm, dos problemas que temos e dos esforços que temos de fazer para termos uma vida razoavelmente boa, certo? Pode não servir de conforto, mas normalmente quando olhamos para o lado, encontramos sempre alguém em pior condições do que nós.

Nem precisamos de sair de casa. Todos os dias vemos noticias que envolvem pessoas, animais, situações que nos deixam preocupadas e com a sensação de que poderíamos ajudar. E porque não?

O que a Mulher Saudável está a tentar apelar é ao sentimento de solidariedade. Muitas de nós podem julgar que para ser solidária é preciso dar dinheiro ou algum bem material e na realidade, nada mais errado. Ser solidária pode consistir apenas em estarmos disponíveis para ouvir, para dar uns miminhos ou para ajudar com as nossas capacidades intelectuais.

Ajudar no Banco Alimentar é ser solidária, mas a realidade é que a maioria das pessoas só se lembra disso quando há campanhas. Participar na Corrida da Mulher também. O dinheiro é para ajudar com equipamentos. Comprar o cd da Leopoldina no Natal também é ajudar. Existem imensas campanhas como estas ao longo do ano em que o objectivo é juntar pessoas para participar e como “grão a grão enche a galinha o papo”, acabamos por dispensar pouco dinheiro e ainda assim ajudar.

Mas a solidariedade não é só contribuir em campanhas. Ser voluntária numa qualquer instituição sem fundos lucrativos é ser solidária. Não dá dinheiro e dispensa apenas tempo para ajudar os outros. E há inúmeras maneiras de ajudar. Se gosta de crianças, existem imensas instituições quer por vezes, a única coisa que precisam é de alguém para cozinhar ou ajudar a mudar fraldas. Existem orfanatos que só precisam de alguém que dê beijinhos e conte histórias a crianças desamparadas. Se tiver possibilidade, até pode tornar a sua família numa família de acolhimento.

Se gosta de animais, lembre-se que nesse campo a sua ajuda é ainda mais preciosa. Há imensos animais em canis, que foram maltratados e abandonados e que precisam de amor. Se não tem a possibilidade de ter algum em casa, porque não ser madrinha de um? Só precisa de o visitar de vez em quando e ajudá-lo no que poder. Às vezes bastam umas festinhas na cabeça para fazer um cão feliz. Há instituições que dispensam números de telefone em que o custo da chamada (cerca de 70 cêntimos) é convertido em comida, cobertores e medicamentos para os animais. Pense nisso. São muitas as instituições que ajudam animais e que precisam da sua ajuda.

Há ainda as instituições que ajudam os sem-abrigo, pessoas idosas e sozinhas e pessoas doentes. Na grande maioria, as pessoas auxiliadas apenas precisam de alguém que lhes faça companhia durante algum tempo. Não precisa de ter muito dinheiro para isto, pois não? Ser solidária é por exemplo dar um casaco que já não use àquela senhora que dorme no banco do jardim. Ou é por exemplo, doar um filme da sua colecção a um hospital para que as pessoas acamadas usufruam dele. Se conhece algum senhor idoso que viva sozinho e sem família, ser solidária pode ser dar uma voltinha com ele pelo jardim.

É importante que se perceba que não consiste só em ajudar pessoas e animais. A natureza também precisa de nós, certo? Ajudar na limpeza dum mato, duma praia, promover a reciclagem ou a poupança de bens essenciais também são outras formas de ser solidária.

Diz-se que a solidariedade não tem de ser envolvida em sentimentos de “pena” pelo próximo, nem de obrigação em ajudar. E é verdade. Basta pensarmos que podíamos ser nós e tenho a certeza que o bichinho da ajuda virá ao de cima.

São pequenos gestos que se convertem em grandes atitudes e que podem ajudar em alguma coisa. Em nós, cresce sem dúvida o sentimento de utilidade que nos faz sentir prestáveis e essenciais a alguém ou algo.

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